A atenção que é dada à acessibilidade dentro das moradias é proporcional ao cuidado com os ambientes do entorno?

Ao pesquisar recomendações para diminuir o risco de quedas, geralmente encontramos textos sobre o que evitar ou acrescentar nos ambientes internos da moradia ou sobre a qualidade das calçadas no espaço urbano. E quanto ao espaço semipúblico, o que liga a unidade habitacional com a rua? Nem sempre há a mesma atenção, o que acaba por resultar em limitações e desestímulo à busca de convivência social. Esse não é um problema apenas no Brasil e desperta o interesse de muitos pesquisadores, especialmente pela perspectiva de propor políticas públicas para tornar as cidades mais amigas do idoso.

Na Espanha, a Fundación Mutua de Propietariosem colaboração com a Confederación Española de Personas con Discapacidad Física y Orgánica (COCEMFE), realizou um estudo com dados que se mostraram impressionantes (https://elpais.com/sociedad/2019/06/12/actualidad/1560334356_594699.html):

Cerca de 100.000 pessoas com mobilidade reduzida nunca saem de casa na Espanha pela falta de acessibilidade do imóvel em que residem. Dos 2,5 milhões de pessoas com alguma dificuldade para se movimentar, 4% vivem reclusos em suas casas e essa porcentagem aumenta para 42% entre os que passam muitos dias sem sair à rua. A falta de adaptação dos edifícios, unido à escassez de ajuda para eliminar barreiras arquitetônicas, os condena a viver isolados em suas casas…

O estudo, denominado Movilidad reducida y accesibilidad del edifício, concluiu que 18% dos edifícios que abrigam pessoas nessas condições não têm elevador, o que pode justificar o isolamento social a que se submetem, em especial os moradores idosos. Além disso, destaca que 22% deles declaram terem sido obrigados a mudar e que 57% não podem sair para vivências no espaço público sem ajuda de terceiros.

Experiências em diversos países que adotaram a Estratégia Global Cidade Amiga do Idoso, desenvolvida pela Organização Mundial de Saúde, têm apontado relatos semelhantes, sendo esse um argumento para as dificuldades em sair de casa. Edifícios com escadas sem corrimão, portas difíceis de abrir, pisos escorregadios ou desgastados, iluminação deficiente, além de outras inadequações entre a porta do apartamento até a via pública, são sérios indícios de que o risco de quedas e o esforço para vencer um trajeto difícil acabam por abater os moradores e os mantêm em casa, isolados.

As iniciativas de vizinhos que se unem para atender pequenas necessidades de moradores idosos geralmente criam um senso de comunidade que se torna estimulante para todos. Porém, pequenos investimentos podem facilitar essas ações, fato que poderia ser implementado através de programas de orientação técnica oferecidos por órgãos públicos, em parceria com organizações da sociedade civil ou, até mesmo, com apoio de redes comerciais para o fornecimento de materiais adequados a preços melhores. Viabilizar projetos dessa natureza pode trazer benefícios a todos, em qualquer idade.

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