Que características de vizinhança podem aproximar pessoas idosas com outros moradores?

Muito se discute sobre alternativas de moradia que ofereçam conforto e segurança na velhice. A melhor situação será sempre aquela que mantem a família e amigos próximos, especialmente quando há familiaridade com o bairro, desde que todos os envolvidos nesse contexto possam seguir a vida em harmonia. A moradia institucional oferece apoio profissional para eventuais dependências que surjam com o avanço da fragilidade, porém em muitos casos o que se percebe é a perda da autonomia em nome da garantia de segurança, conferindo uma sensação de inutilidade e podendo causar isolamento, com graves consequências à saúde.

Ao encontrar outras experiências exitosas em soluções de moradia, é preciso compreender que os aspectos socioculturais de cada caso são definidores do seu sucesso e, portanto, o que funciona para determinados grupos não tem sucesso em outros. O jornal El País tem apresentado alguns casos na Espanha interessantes nesse sentido, destacando aqui dois deles. O primeiro descreve uma iniciativa inovadora implantada há 11 anos no município de Pescuenza, estimulando a permanência de idosos próximos da área rural e transformando o projeto numa residência de idosos aberta para mantê-los na sua região original, rompendo com o modelo original restrito a uma única edificação (https://elpais.com/politica/2019/05/21/actualidad/1558447360_907101.amp.html).

“Quando um avô fecha a porta de casa para mudar para outra cidade, vão-se todas as suas recordações. Criamos uma vila-residência onde as próprias casas e as ruas estão adaptadas para eles”.

Segundo a reportagem, a Associação Amigos de Pescuenza viabiliza o projeto em colaboração com outras organizações. Tem gestão privada e nela trabalham 10 vizinhos, contando com 24 centros dia e 4 de noite. Recentemente, todos os inscritos receberam um telefone celular que pode acionar localização em emergências através de um botão vermelho. Também foram instalados corrimãos em locais mais íngremes, além de disponibilizar um minicarro elétrico para transporte de idosos ao longo das ruas estreitas do vilarejo.

Outra experiência já pode ser encontrada em comunidades intencionais em formação no Brasil. Com o título de ‘Cohousing’: a revolução dos ‘velhenials’ contra a solidão, o compartilhamento de moradia, cuidados e tarefas com amigos tem atraído os novos idosos em todo o mundo (https://brasil.elpais.com/brasil/2019/04/20/internacional/1555761718_539199.html).

Conviver com moradores que projetam e administram o edifício onde as residências privadas são integradas com áreas comuns funciona como uma cooperativa, onde as tarefas são planejadas e distribuídas para a participação ativa de todos, cuidando “uns dos outros até o fim de seus dias”. Ambos os exemplos demonstram meios de garantir conforto e segurança na velhice.

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