Como estimular o apoio comunitário para que idosos possam optar pela permanência em casa?

Diversos fatores concorrem para a decisão de mudar para uma instituição de longa permanência para idosos. Geralmente, vem da pressão familiar para que haja menos risco de acidentes domésticos, considerando a falta de disponibilidade para acompanhar o parente idoso nas suas rotinas diárias. Mais raramente, vem do próprio indivíduo, que se sente um fardo para a família e prefere o atendimento profissional, muitas vezes porque a solução de cuidado envolve a convivência “forçada” na residência de um filho e com a possibilidade de conflitos intergeracionais. A contratação de cuidadores profissionais ainda prescinde da regulamentação da profissão e culmina em soluções que envolvem pessoas despreparadas ou que custam muito caro, passando a ser um problema que afeta o orçamento de toda a família.

Não raro ouvem-se relatos sobre o apoio de vizinhos a situações eventuais, tais como ajudar com sacolas, acompanhar em momentos de saúde debilitada ou, mesmo, visitar com frequência e garantir que a solidão seja evitada. Nesse ponto, vale muito a presença dos porteiros de condomínios, com os quais um simples contato ao passar pode provocar a interação e o senso de pertencimento àquele lugar. Ao lembrar que “vizinhos são mais presentes do que os próprios parentes”, alguns familiares podem se servir desse apoio, garantindo que notícias sobre eventos inesperados sejam rapidamente informadas e providências tomadas a tempo de evitar problemas maiores. A ratificação de vínculos concorre para maior segurança de todos, pois permite trocas intergeracionais positivas e estimulantes. O interesse em garantir o bem-estar de moradores mais frágeis certamente provoca a reflexão sobre cada caso para o exercício da empatia, visto que situações adversas podem ser vividas pelo vizinho em outro momento e, portanto, o espírito solidário estará consolidado. Vê-se aqui a importância do síndico, aquele que tem a responsabilidade por garantir o funcionamento do condomínio em todos os seus aspectos.

Mas como ficam os idosos que moram em casas isoladas ou em edifícios com muitos inquilinos, geralmente gerando uma flutuação de pessoas sem tempo suficiente para gerar vinculação significativa? Há exemplos em outros países, assim como em pequenos municípios no interior do Brasil, de iniciativas lideradas pelo poder público em prol de populações mais frágeis, com o intuito de eliminar a solidão e seus efeitos nocivos. Para estimular o apoio comunitário de idosos que optam pela permanência em casa é preciso um agente articulador que gerencie esta rede de solidariedade. A sensação de insegurança diminui pela presença no espaço público, gerando participação social na vizinhança e o reconhecimento de que o indivíduo pertencente àquele lugar importa, criando uma rede que consolida seu desejo de envelhecer ali. Desse modo, a decisão de morar em residências coletivas fica restrita à necessidade de cuidado intensivo ou especializado, salvo se houver desejo por essa opção.

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