Quais características podem tornar mais prazerosas as refeições coletivas nos residenciais para idosos?

Quando se fala em ambiência nos residenciais para idosos, um bom caminho para verificar as dificuldades que eventualmente emergem do convívio diário é observar e investigar como é a condição de bem-estar nos ambientes coletivos. Há diferenças culturais, preferências e outros motivos que determinam a qualidade dessa convivência quando há atividades diversas, mas é no momento das refeições que há as maiores evidências.

Ouvem-se relatos tais como “gostaríamos de conversar, mas muitos são surdos e há muito barulho do pessoal de serviço”. Ou, então, sobre algum desconforto que não conseguem definir, apenas justificando que comem rapidamente e retornam para os quartos. Também há muitos relatos sobre a presença de pessoas com alguma necessidade especial e que, conforme o estágio, sentem-se incomodados ao ver que precisam da ajuda que às vezes demora. Nesse caso, alguns tomam a iniciativa e procuram compensar, auxiliando dentro das suas possibilidades, o que acaba por tornar o almoço ou jantar menos prazeroso.

Algumas características podem melhorar esses momentos nos residenciais para idosos, a começar pela sensibilização da equipe sobre atitudes empáticas quanto à presença simultânea de pessoas com características diferentes. Por exemplo, alguns falam mais alto para conseguirem se comunicar com indivíduos que apresentam baixa audição, o que recomendaria que se aproximassem ao invés de gritar, mesmo sendo bem-intencionados. Também os ruídos que vêm da cozinha e da reposição do buffet devem ser minimizados o quanto possível, desde usando portas com molas até utilizando apoios têxteis para reduzir impactos em superfícies frias.

Outra questão é o formato das mesas e a adequação das cadeiras, pois as mesas circulares são interessantes para que não haja destaques e podem formar grupos que se articulem socialmente. Mas o uso de dispositivos para o ajuste da postura é importante para que alturas e proximidade permitam a permanência pelo tempo necessário, sem esforços desnecessários. Além disso, ainda para ajustes ergonômicos, deveriam ser disponibilizados talheres com alternativas para situações especiais, com cabos mais espessos ou flexíveis, assim como copos leves e com formatos fáceis de pegar.

Elementos de animação na mesa, como sousplats, guardanapos coloridos ou pequenos arranjos florais, assim como música adequada em volume e estilo, podem tornar o ambiente diferenciado de outros do residencial, especialmente para aqueles moradores que saem pouco. Da mesma forma, alimentos apresentados de maneira estimulante podem produzir um efeito de diversão para o olhar, lembrando que muitos têm baixa visão e, portanto, deverá haver iluminação focada nessas composições. Afinal, boa comida é importante, mas comer é mais do que ingerir os alimentos necessários para a subsistência: envolve prazer e a oportunidade de consolidar vínculos significativos, especialmente entre moradores de um mesmo residencial.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.