Que elementos de ambientes ao ar livre contribuem para a autonomia de idosos institucionalizados?

Residenciais para idosos, geralmente, têm espaços ao ar livre aproveitando recuos frontais e áreas laterais dos terrenos. Mas os espaços mais interessantes podem ser aqueles que permitem ambientes de interação entre os moradores, seja em momentos de pura contemplação até em atividades propostas para animação e preenchimento do tempo livre. Aspectos tais como condições climáticas, topografia do terreno e existência de vegetação mais densa interferem na escolha de materiais de revestimento e outros dispositivos que concedam segurança e conforto aos usuários, de modo a garantir o uso de modo espontâneo. O mobiliário, fundamental para a permanência, precisa apresentar sintonia com o que é o objeto de maior interesse: a vegetação a ser trabalhada, tratada, observada e que estimulará outros sentidos além da visão.

Frequentemente há o temor de que pavimentos irregulares provoquem quedas, mas associar corrimãos aos trechos de passagem pode oferecer mais segurança e até funcionar como elemento decorativo. É necessária muita atenção ao sistema de captação de águas pluviais, pois uma chuva intensa pode impedir o uso desses espaços, até mesmo os que estejam sob proteção de marquises ou toldos, pois um piso liso, quando molhado, oferece risco de quedas. Por outro lado, pisos intertravados permitem rápida absorção da água pelo solo, além de serem fáceis de recolocar caso formem alguma irregularidade. Na transição entre o plano protegido e o externo pode haver uma diferença de cota, desde que exista um chanfro que facilite o trânsito de cadeiras de roda e com destaque para que fique notável aos que caminham, mesmo com uso de dispositivos de apoio mais leves.

Criar ambientes que sugiram a possibilidade de atividades em grupo, tais como exercícios coletivos ou mesmo jogos interativos, pode tornar essa área ainda mais interessante, desde que haja o sombreamento necessário para momentos de sol intenso. Outro aspecto é a presença de pequenas fontes, fáceis de manter com bombas para retornar constantemente a água, criando uma atmosfera dinâmica pelo som que resulta e o visual possível. Nessa composição entram outros elementos naturais e até formas artísticas, criando temas divertidos e atraentes. Plantas decorativas em cores variadas preenchem um visual convidativo para aproximação e contemplação.

Haverá moradores que gostam de jardinagem, especialmente quando os vasos a serem plantados e cuidados ficam em alturas que exijam pouco esforço para o manejo. Nesses recipientes pode haver flores, ervas para chás e temperos, todos oferecendo aromas que exalam diferentes estímulos olfativos e que podem despertar reminiscências gustativas. Associar à presença de pequenos animais, também, permite um movimento ainda mais significativo, pois o cuidado pode se tornar parte das atribuições dos próprios moradores, mesmo que parcialmente. Estimular a autonomia através da atenção aos elementos do jardim pode trazer muito prazer e aumentar a autoestima de idosos que desejam ser úteis.

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