O que se pode esperar da ambiência que se constrói nas moradias de idosos no período do Natal?

Embora seja uma data religiosa, o Natal tornou-se amplamente comercial e sente-se o nervosismo gerado pelo profundo apelo de trocar presentes. Mesmo assim, é um momento de confraternizar em família e lembrar dos amigos para os quais não tivemos muito tempo ao longo do ano. A cidade se transforma em luzes e sons, muitos personagens natalinos circulam nos shopping centers e os encontros entre colegas e amigos torna o final do ano uma sequência de festas que, embora possam ser divertidas, têm um caráter de obrigatoriedade que não condiz com o espírito de Natal.

Nos residenciais para idosos, o que se vê é uma intensa preparação que começa um mês antes e se estende até janeiro, mas que pode deixar uma sensação de vazio muito incômoda se não houver uma transição pensada, tanto para iniciar como para encerrar o período festivo. Há a tentativa de envolver a todos em atividades que os inclua nessa preparação, seja produzindo artesanato para decoração da casa ou, mesmo, para elaboração de pequenos presentes que podem ser entregues aos amigos e familiares que estiverem presentes. Muitos permanecem na casa, pois a família pode visita-los antes ou depois, mas sua participação é restrita aos momentos que possibilitem congregar a maioria, incluindo a equipe profissional. Para aqueles que sentem saudades de casa e dos entes queridos que já morreram, há um pouco de melancolia no período do Natal, que pode se tornar um momento terapêutico através de músicas, resgate de hábitos e uso de imagens que lhes tragam boas lembranças.

É preciso considerar que a população flutuante na moradia institucional, formada pelos colaboradores, voluntários e visitantes, geralmente apresenta um comportamento mais expansivo nesta época, por diversas razões que nem sempre os que permanecem lá são capazes de compreender. Essa ambiência que resulta de uma decoração mais colorida e iluminada, somada com atitudes alegres (nem sempre adequadas) e dedicadas ao idoso mais frágil, volta a ser como antes em janeiro, situação ainda agravada pelos períodos que muitos aproveitam para se afastar do trabalho e, portanto, diminui o movimento da casa a ponto de tornar-se triste. Cabe aqui uma avaliação dos motivos pelos quais o Natal é enfatizado como a data mais importante do ano, sendo que há aniversários, dia dos avós, Páscoa, dia das crianças e outras datas religiosas que, para muitos, representa a verdadeira alegria da fé.

Que o Natal seja comemorado com muita cor e luz, mas que resgate lembranças significativas para esses idosos. Que eles não sejam lembrados somente pela necessidade de levar um presente, mas de estar efetivamente presente, oferecendo o calor de um abraço e a delicadeza de um afago. Que o espírito de família que se consolida nas moradias, pela convivência ao longo de todo o ano, seja estimulado como uma oportunidade de resgatar lembranças agradáveis, vividas com aqueles que já não podem mais estar. E, principalmente, que o espírito da fé permaneça e não se dissipe após as festas.

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