Por que o modelo de moradias assistidas não é oferecido aos idosos brasileiros?

A busca por modelos alternativos de moradia para os idosos brasileiros tem encontrado soluções que majoritariamente vêm da iniciativa privada e que frequentemente são baseados em referências estrangeiras. Mesmo quando a denominação se torna mais atraente, com vistas ao impacto menos negativo àqueles que poderão utilizar os serviços, ainda assim mantêm os modelos de Instituições de Longa Permanência para Idosos – ILPIs e, o que é pior, basicamente continuam a parecer com os antigos asilos. Termos como residenciais para idosos ou geriátricos podem amenizar a sensação de institucionalização, mas é preciso pensar em soluções que não massifiquem os sujeitos que necessitem de cuidados continuados sendo mantidos em regimes que podem acelerar o processo de perdas.

Os condomínios para idosos são empreendimentos que já têm aparecido no Brasil como grande solução para uma vida amparada na velhice, mantendo a autonomia ao máximo. Mas oferecem um serviço de atenção à saúde através de operadoras que colocam agentes para providenciarem respostas que se mostrem necessárias, normalmente relacionadas a questões biológicas. A diferença está em dispositivos que facilitem o manuseio de equipamentos, espaços adequados para minimizarem os riscos de acidentes e, principalmente, em um valor de condomínio que inviabiliza essa opção para a grande maioria da população idosa brasileira. Então, por que não se manter em casa, em qualquer apartamento montado para facilitar o dia-a-dia?

A assistência que pode oferecer real diferença é a que, além do monitoramento das necessidades para as boas condições físicas do morador idoso, dedica-se ao acompanhamento psicológico e social, promovendo a interação através de estratégias de aproximação entre vizinhos. É possível morar em apartamentos confortáveis e bem montados, sem requintes que encareçam a manutenção, criando oportunidades de interação e criação de vínculos significativos. Por outro lado, facilita a comunicação com os familiares e amigos que já fazem parte da vida do morador, através da oferta de espaços que permitam estender o ambiente privado do apartamento. Mais ainda, se houver a aproximação com outros serviços, encontros intergeracionais podem enriquecer as rotinas desses moradores, possibilitando novas e positivas descobertas diárias.

Nas moradias institucionais brasileiras ainda há muita ênfase na oferta de serviços que atendam doenças e fragilidades da velhice, com pouca atuação nos exercícios cognitivos que podem trazer mais conforto a todos os moradores e no estímulo à interação entre pessoas que desejem compartilhar suas atividades diárias de maneira mais integrada. Há um difícil dilema ético quanto à distribuição de pessoas com diferentes graus de capacidade cognitiva para manter a convivência, muitas vezes forçada, em ambientes coletivos. É preciso enfrentar esse assunto com vistas a soluções mais efetivas, oferecendo assistência na medida da necessidade de cada idoso, especialmente através de novas tecnologias que facilitem esses processos.

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