Quem refletir sobre sua própria velhice tem chance de prever circunstâncias mais adequadas de moradia?

Muito se discute sobre as mudanças demográficas e o aumento da longevidade, mas poucos refletem sobre seu próprio futuro, geralmente convivendo com pessoas idosas na família ou na vizinhança e raramente colocando-se no lugar delas. É como se fosse uma situação tão distante que não caberia pensar nisso naquele momento, levando ao adiamento de planos que possam garantir um futuro com mais autonomia pois, afinal, ainda há muita juventude para viver. A jornalista Mariza Tavares publicou um resumo sobre a iniciativa do Centro de Longevidade da Universidade de Stanford, nos EUA, um estudo que pretende provocar os temas que farão alguma diferença para o conforto e a segurança na velhice, destacando que a perspectiva de chegarmos aos 90 ou 100 anos gera um desafio: o que vamos fazer com nossa existência superestendida?(https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2019/12/31/por-que-vamos-precisar-de-um-novo-mapa-da-vida.ghtml).

Os ensaios aqui publicados desde 2015 pretendem provocar a questão da moradia como uma decisão a ser tomada após uma cuidadosa análise do que pode ser mais conveniente para cada indivíduo, considerando capacidade econômica, desejos, necessidades e circunstância familiar. É crescente a demanda por moradias adequadas e isso implica em soluções que mantenham o idoso o mais tempo possível na sua própria casa, desde que haja condições para tal. Mas isso geralmente só é decidido quando se configura num problema complexo e doloroso para a família. O estudo pretende definir um diagnóstico, visto que teremos que criar uma outra narrativa sobre a velhice, uma vez que a tradicional já não representa a realidade.

Dr. Chao Lung Wen, médico e coordenador da rede Casas Inteligentes – eCare, complementa com colocações muito pertinentes e que sugerem a melhor condição para que haja permanência na própria casa:

Estamos num período de transformação social urgente em que será necessário criar o Ecossistema Social Sênior Autossustentável fundamentado em 4 pilares: 1 – propósito de vida; 2 – bem-estar (social, emocional, mental, espiritual, físico); profissionalização da saúde; 4 – gestão das doenças com intervenção equilibrada… neste novo ecossistema, o estilo de vida sênior proporcionado pelas residências conectadas com IoT e robótica formarão base para organização de uma cadeia produtiva sênior… um desafio tão interessante quanto conquistar Marte nesta década.

Refletir sobre a própria velhice permitirá prever circunstâncias mais adequadas de moradia àqueles que viverão muito, diminuindo o sofrimento pelas perdas. Mais ainda, possibilita um planejamento ao longo da vida que pode garantir melhores condições de bem-estar na velhice, especialmente sobre as decisões a serem tomadas quanto às alternativas possíveis. O uso da tecnologia facilita a assistência eficiente e econômica, possibilitando autonomia por mais tempo e mantendo a dignidade tão desejada por todos nós.

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