Que estratégias têm sido adotadas em muitos países para retardar a necessidade de institucionalizar o idoso?

A busca por alternativas de moradia na velhice em geral advém da necessidade de maior assistência, da falta de cuidadores informais que ofereçam a atenção necessária em cada situação ou, mesmo, da dificuldade de conviver na mesma casa com outras gerações. Raramente são encontrados idosos que se mudam para os residenciais especializados porque desejam uma vida mais segura e confortável, geralmente alegando diversas razões para sua decisão. Envelhecer no lugar, uma tradução limitada de aging in place, significa manter-se onde há familiaridade, não necessariamente no mesmo imóvel, mas reconhecendo-se como parte da comunidade onde está inserido. Manter a autonomia e poder decidir sobre seu território particular mantem a capacidade de gerir sua própria vida, exceto quando há declínio cognitivo ou perda de mobilidade que exija supervisão constante.

Em muitos países o apoio domiciliário tem sido adotado por governos ou instituições de segurança social que evitam a institucionalização como último recurso de assistência, mantendo a escuta diária das necessidades básicas do idoso que mora só ou com outro idoso, oferecendo assistência na manutenção da higiene pessoal e da casa, além de garantir que haja alimentação básica de qualidade. No Brasil, o Programa de Saúde da Família acompanha a evolução de casos através da presença constante de agentes comunitários que visitam pessoas em vulnerabilidade social, oferecendo um olhar direcionado a soluções que estejam ao seu alcance e indicando caminhos para questões médicas. Em Portugal, além de acompanhamento diário dos casos que exijam maior atenção, é mantido um fornecimento de frutas, legumes e outros alimentos básicos que garantam uma nutrição equilibrada, para muitos um apoio essencial para uma sobrevivência digna. Essa atenção identifica casos em que haja precariedade nas habitações e encaminha para que seja resolvido com o menor impacto possível, de modo a atender o princípio básico de viver em um ambiente digno.

Um exemplo significativo é a Residência Assistida, parte do Centro Intergeracional Bairro Padre Cruz, construída pela Câmara Municipal e gerida pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa para atender demandas sociais daquele bairro, onde residências precárias estão sendo substituídas por novas unidades habitacionais. Os moradores que se instalaram ali há cerca de três anos já moravam no bairro e, portanto, conhecem sua dinâmica e reconhecem-se com pertencentes àquela comunidade. Havia a necessidade de mudar ora por problemas estruturais da habitação original, ora por questões sociais de perdas pessoais ou isolamento. A residência oferece unidades habitacionais com o apoio de uma pequena equipe, promovendo encontros entre vizinhos pelo compartilhamento de ambientes que ofereçam atividades de socialização. Uma estratégia eficiente para aqueles que poderiam envelhecer mal, garantindo dignidade a vidas cada vez mais longevas.

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