Que concessões são necessárias para que idosos moradores em residenciais consigam conviver?

Uma das questões mais difíceis em moradias institucionais é a necessária organização dos espaços coletivos para possibilitar encontros produtivos. Salas de convivência e de TV, refeitórios, ateliês de práticas artísticas, ambientes para atividades com música, espaços de estar ao ar livre ou em varandas e outros lugares da casa, podem produzir encontros significativos para a criação de vínculos duradouros. Porém, como acontece até em famílias consanguíneas, são necessárias concessões pessoais para que efetivamente haja prazer e tranquilidade nesses momentos de encontro.

Exigir que um idoso lúcido tolere comportamentos antissociais é impossível, mas ouvi-lo sobre seus limites de tolerância e compreender o quanto ele consegue aceitar atitudes incontroláveis de outros moradores, muitos em processo de demência, pode ajudar a integrá-lo melhor nesse contexto. Há situações em que esses indivíduos solicitam atenção durante muito tempo, emitindo sons altos e até mesmo gritando, sendo que em muitos casos os próprios colegas colaboram para que recupere a tranquilidade através de atenção ou alcançando objetos de distração. Há casos em que alguns rasgam revistas e, assim, mantem-se distraídos por um bom tempo. Há outros que necessitam conversar quando encontram seus pares pelo caminho, pois deambulam com muita frequência e normalmente em espaços definidos para que possam exercitar as longas caminhadas. As conversas podem ser desconexas e até incômodas, portanto uma sensibilização para essas situações pode diminuir o impacto negativo pela compreensão do problema.

Os ruídos em salas de refeição podem ser gerados pela cozinha ou pela movimentação do pessoal de serviço, inclusive em conversas animadas, às vezes animadas demais. Facilitar a condição para que haja interlocução entre os convivas de uma mesma mesa, apesar das dificuldades com a audição, possibilita momentos de consolidação de vínculos, seja pelo aumento da intimidade ao conhecerem-se melhor ou mesmo pela possibilidade de criarem novos encontros, em outras atividades. Também quando há práticas culturais, artísticas ou esportivas, o modo como decidem participar igualmente facilita a aproximação, considerando a oportunidade de expressar interesses comuns e exercer o protagonismo. A ginástica e a dança são atividades muito apontadas como preferidas em residenciais, seja pelo exercício físico ou pela mudança que a música pode acarretar no humor de muitos.

Enfim, são necessárias concessões para se viver em comunidade, em especial para idosos moradores em residenciais que, na maioria das vezes, precisam estabelecer novos vínculos com as pessoas que encontram nesses lugares, mas nem sempre são capazes de compreender que o outro vive o mesmo dilema. O espaço construído deve ser um indutor de encontros significativos, possibilitando escolhas que permitam a sensação de conforto na nova residência. Porém, é preciso tolerância, que deve ser construída com ajuda profissional.

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