Quanto um sorriso pode amenizar a ansiedade no necessário distanciamento físico em tempos de pandemia?

Muitas questões estão envolvidas nas ações empreendidas para suportar o período de pandemia pelo coronavírus, que assola o mundo desde o início deste ano de 2020. Estratégias para garantir o isolamento social, estabelecidas pelos governantes, traz resultados positivos, tais como a conscientização de que a doença é grave, mas acomete muitos de uma ansiedade potencializada por outros temores além da saúde física. A falta de habilidade para acompanhar aulas e reuniões à distância, incluindo a ausência de equipamento adequado, e a incerteza sobre a manutenção dos compromissos financeiros, são questões bastante significativas para reduzir a qualidade de vida de muitas pessoas.

Famílias mantêm esforços para cuidar remotamente dos seus entes queridos, assim como vizinhos colocam-se à disposição daqueles que possam precisar de ajuda, despertando um espírito solidário que, para muitos, estava adormecido. As rotinas estressantes de trabalho, deslocamentos em grandes cidades, velocidade da informação e outros aspectos da vida contemporânea, são motivos que afastavam as pessoas de sentimentos de apreço e atenção. Notícias sobre ações solidárias, tais como músicos que tocam em seus condomínios, trazem novidade a esse universo tão distanciado socialmente, apesar da aproximação física.

Ao considerar os trabalhadores da área de saúde, neste momento tão imprescindíveis para o atendimento de casos dessa e de outras doenças que continuam internando e matando pessoas frágeis, o reconhecimento da importância torna-se ainda mais necessário. Vídeos e fotografias desses profissionais, descritos como “astronautas” nas UTIs em função dos Equipamentos de Proteção Individual – EPIs – que utilizam para o trabalho árduo que enfrentam, os tornam indivíduos anônimos, figuras distantes e mecânicas na pressa dos atendimentos a cada dia mais urgentes.

Um médico americano, Robertino Rodriguez, de San Diego, Estados Unidos, adotou um crachá que mantém uma foto sua com um largo sorriso, a partir do momento que percebeu a intensa ansiedade de seus pacientes durante o atendimento, no início do mês de abril. A iniciativa viralizou pelas redes sociais e tem demonstrado o quanto uma ideia tão simples pode trazer calor nas relações que se mantêm neste período de isolamento para evitar o contágio da doença. Profissionais em diversos hospitais em vários estados brasileiros já adotaram essa prática, que vem se mostrando eficiente e um coadjuvante importante para o restabelecimento dos internados.

Para idosos que residem em moradias institucionais, mesmo já conhecendo seus cuidadores, essa ideia pode facilitar as relações e manter a memória ativa, vista a semelhança de aparência que as EPIs impõem aos profissionais que atuam nesses equipamentos. Um jeito carinhoso de manter a familiaridade com aqueles que se mantêm presentes, apoiando idosos frágeis física e emocionalmente.

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