As recomendações de distanciamento físico alteram o comportamento de idosos condicionados ao isolamento social?

Muitas famílias têm enfrentado uma série de limitações relacionadas ao momento crítico da pandemia, com o crescente número de casos. Faltam recursos, em todos os sentidos, para muitos que viram suas rotinas alteradas de um dia para outro. Apesar de a solidariedade ter sido mais percebida em muitas ações que surgem diariamente em diversos contextos das cidades, a consequência emocional causada pelo isolamento social despertou sentimentos que colocam em risco o equilíbrio de muitas pessoas, especialmente quando são idosas.

Se idosos normalmente já são considerados teimosos, como ficam nesse momento em que estão limitados a evitar um inimigo invisível e que impõe comportamentos “exagerados”? A gerontóloga Tássia Chiarelli expõe suas reflexões sobre a resistência de idosos ao isolamento social (https://www.linkedin.com/pulse/%25C3%25A9-s%25C3%25B3-por-teimosia-que-o-idoso-resiste-ao-isolamento-social-chiarelli/).

A pessoa idosa tende a fazer escolhas e buscar por relações sociais mais próximas e significativas que gerem bem-estar e satisfação com a vida. Ao precisar permanecer sozinha, a sua principal motivação fica fragilizada.

Jovens, inclusive, têm sofrido com a perspectiva de mudanças no mundo do trabalho. A adaptação urgente para a continuidade do ensino em todos os níveis provocou uma revisão da convivência no seio da família com crianças e adolescentes, desde a definição de horários e condições ambientais para o sucesso da estratégia, até a necessária organização de meios para efetivá-la. Toda essa dinâmica alterou as relações sociais imediatas, de familiares e coabitantes em geral, potencializadas pela presença de indivíduos considerados frágeis por terem características que aumentam o risco de letalidade.

Quando as pessoas vivenciam o mesmo cenário, o horizonte de tempo pode ser igualado. A perspectiva de tempo futuro pode se tornar ampla ou reduzida. Por exemplo, quando o ambiente está incerto, seja por uma guerra ou doença terminal, nós tendemos a reduzir a nossa visão sobre o futuro. No caso da pandemia, justamente por essa insegurança sobre o dia de amanhã, pessoas jovens também podem apresentar a sua perspectiva de tempo futuro reduzida e buscar de forma mais ativa por relações sociais que são importantes em sua vida.

O que consideramos teimosia pode ser somente a percepção mais atenta de comportamentos resultantes de hábitos, estabelecidos ao longo das histórias de vida. As pessoas queridas são preferidas para o convívio e preenchem muitos momentos importantes de prazer e aprendizado. Este período assolado pela pandemia viral obriga a todos que respeitem limites em nome da saúde, sua e de outros, até que se conheçam efetivamente os meios para combater a doença. Para indivíduos que já viveram muitas crises, o impacto pode parecer menos significativo e até exagerado, e isso precisa ser respeitado.

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