Quanto o desconforto na moradia pode motivar o desejo de mudança entre idosos que buscam a felicidade?

A atual imposição de isolamento social em função da pandemia pelo coronavírus atingiu todas as famílias, afetando gravemente a condição econômica e social de muitos que dependiam de atividades presenciais. A esperança com a volta da normalidade tem ficado comprometida a cada dia que passa, a partir de notícias pouco alentadoras sobre a segurança biológica de ambientes coletivos. Se no início havia o medo do desconhecido, aos poucos as informações sobre as experiências vividas são compartilhadas e demonstram a importância de atitudes conscientes quanto à manutenção da moradia como abrigo do corpo e da alma. Portanto, esta situação demonstrou claramente a importância de sermos modulares ao repensarmos sobre nossos modos de morar.

Um hábito que preenche com muito prazer o tempo livre, que aumentou por ficarmos em casa, é a leitura de livros variados, especialmente romances, aventuras, contos e poesias, trazendo perspectivas diferentes dos conteúdos profissionais e da maciça informação sobre a COVID-19 que tanto invade as casas através dos noticiários e das redes sociais. O livro – Prenda-me, por favor! – (de Catharina Ingelman-Sundberg, editora Gutemberg, 2013) apresenta uma história divertida sobre idosos moradores de um residencial sueco que, com novos proprietários, passa a não ser tão confortável quanto antes, a partir de mudanças nas rotinas, redução de atividades e menos qualidade nas refeições.

Quando a vida em uma prisão sueca se torna mais atraente que a rotina do asilo, é hora de armar o assalto perfeito.

São cinco personagens com mais de 78 anos de idade, amigos e parceiros como cantores de coral. Na ausência da enfermeira que chefia o residencial, considerada pouco amigável e responsável por muitas das mudanças implementadas na transição de proprietários, colocam em prática um plano de cometer crimes que pudessem não só oferecer mais dinheiro para usar quando estivessem livres, mas serem presos nas prisões consideradas como muito confortáveis pela pesquisa que fizeram. Assim, aproveitam a imagem de fragilidade que idosos com bengalas e andadores podem trazer e criam planos que os colocam acima de qualquer suspeita, até o momento que pretendam entregar-se para serem presos na nova moradia.

A ideia da autora sugere que esses idosos não se conformaram com o desconforto e desejaram mudança para uma situação aparentemente mais favorável. Além disso, destaca que se sentem animados com a aventura e a alegria de obter resultados comprova a possibilidade de viverem novas experiências, revitalizando suas rotinas. A ausência no residencial desperta inquietude nos outros moradores, que passam a refletir sobre os motivos que os levaram a desaparecer, já que também estavam insatisfeitos com a situação que viviam. Buscar alternativas de mais conforto pode ser o desejo de muitos idosos institucionalizados e, neste momento tão delicado, é preciso estar atento a isso.

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