Como deverá ser o “novo normal” no atendimento de idosos a partir do fim da pandemia pelo coronavírus?

Temos escutado com frequência a expressão “novo normal”, a partir da compreensão de que o mundo todo está em processo de transformação, enquanto aprende com a experiência nefasta desse inimigo invisível denominado COVID-19. Governantes e gestores em geral viram-se estarrecidos com a velocidade das consequências dessa contaminação, a começar pela necessária proteção dos mais frágeis, seguindo com a definição de protocolos de atendimento aos casos e culminando nas providências para um sistema de saúde que se viu obrigado a soluções urgentes para evitar o colapso. A normalidade foi alterada e os valores nas comunidades têm sido discutidos, desde a convivência em família até a apropriação de espaços públicos, alertando sobre a retomada do controle social.

Aging in Place é escolher o seu lugar na comunidade enquanto envelhece. Não será necessariamente o mesmo imóvel, mas compreende fazer parte de um conjunto de condições que ofereça independência, conforto e segurança, adotando-se a expressão Aging in Community para definir soluções que já vinham amadurecendo nesse contexto. Condições tais como conectividade e pertencimento constroem relações solidárias acessíveis a todos, seja qual for a idade, a renda ou o nível de habilidade dos cidadãos que compõem a comunidade imediata. Iniciativas nesse sentido passaram a ser popularizadas com o isolamento social, trazendo à tona questões antes colocadas em segundo plano e dando visibilidade, principalmente, à presença marcante dos idosos numa sociedade que ainda mantinha estereótipos sobre a velhice.

A gerontóloga Tássia Chiarelli divulgou sua participação no evento The Future of Multigenerational Neighbourhoods Leaders Forum, a partir do qual apresenta proposições importantes, entre as quais destacam-se:

– Um sistema de atendimento proativo possibilita que as pessoas tenham mais chances de desenvolver e prosperar.

O despertar para a solidariedade entre vizinhos, a partir dos muitos exemplos que temos vivenciado em reportagens ao redor do mundo, pode sinalizar para que essa mudança esteja sendo provada e aprovada, especialmente considerando o uso da tecnologia para manter as conexões. E reforça:

– Projetar bairros multigeracionais, unindo adaptação e o atendimento das mudanças. Edifícios e casas precisam ser capazes de mudar de acordo com as necessidades e trajetória de vida dos moradores.

A humanidade foi forçada a ser mais flexível e aceitar mudanças, apesar da necessária adaptação técnica, econômica e comportamental. Tássia ainda afirma que “O novo normal precisa ser mais resiliente, mais sustentável, mais saudável e mais solidário”, em atitudes que considerem os idosos, sejam aqueles com autonomia preservada ou os que necessitam cuidados e atenção na própria casa ou em moradias institucionais, como membros importantes da comunidade. Merecem uma revisão dos olhares, agora mais atentos sobre o futuro de cada membro dessa população cada dia mais longeva.

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