Que lições podem ser aprendidas com as experiências vividas nas grandes cidades no período da pandemia pela COVID-19?

Diversas situações impactantes à saúde têm provocado a busca de soluções para preservar a vida, seja quanto ao contágio pelas doenças, seja pelas consequências psicológicas, econômicas e sociais decorrentes dessas transformações. De acordo com Clovis Ultramari – arquiteto, Paulo Saldiva – médico e Wilson Levy – advogado (A Covid-19 e as cidades inteligentes, Folha de São Paulo – 18 de junho de 2020), é imprescindível repensar as cidades para que funcionem de acordo com as novas rotinas. No séc. XX houve gripe espanhola e gripe asiática, mas no séc. XXI já houve outras quatro infecções virais, entre epidemias e pandemias: Sars (2002), H1N1 (2009), Mers (2012) e Sars-CoV-2 (2019-2020), essa última ainda fazendo vítimas em todos os continentes. Segundo eles: o lar das pandemias é o ambiente urbano, onde se promove a proximidade entre as pessoas.

A velocidade dos efeitos desse vírus assustou especialmente os gestores, de instituições públicas e privadas, obrigando a compor estratégias de enfrentamento capazes de apresentar índices de impacto mais significativos. Muitas experiências não foram bem-sucedidas, mas todas alertam para a necessidade de mudar hábitos e repensar comportamentos. Os autores do artigo apontam à importância de se compreender que cidades inteligentes dependem de processos inteligentes, já que toda iniciativa será positiva se houver adesão a rotinas inteligentes. E acrescentam:

“… é preciso ter clareza do que é uma cidade inteligente. Este é um conceito mais amplo do que supõe o senso comum, porque não tem a ver só com tecnologia aplicada ao território, mas à maneira como a vida urbana pode favorecer a produção do conhecimento e seu aproveitamento tanto na discussão de modelos de política pública quanto na própria gestão urbana”. 

Desde o mês de março último, grupos de profissionais que trabalham com questões relacionadas aos idosos têm discutido os efeitos do distanciamento social, os cuidados para preservar a saúde e a gestão de moradias institucionais, onde a presença de colaboradores que se deslocam para o trabalho trouxe riscos a eles e aos indivíduos que cuidam. Soluções tais como a permanência mais próxima possível puderam ser adotadas, mas trouxeram riscos de fragilidade emocional pelo distanciamento do seu próprio meio. Será preciso refletir sobre como os impactos dessa experiência possam ser amenizados em outros contextos, em que a urgência obrigue a decisões dessa natureza.

“Será preciso apostar em políticas intersetoriais e intervenções rápidas em escalas territoriais menores. Questões de saúde impactarão deslocamentos e frequência nas escolas. O zoneamento deverá prever o uso de residências para teletrabalho. (…) A transformação será profunda”.

A tecnologia tem contribuído para essa adaptação, mas depende das pessoas que se apropriam dela. Novos tempos, novos processos: que sejamos capazes de aprender com essas lições.

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