Quão criativos devem ser os gestores de moradias institucionais para estimular o ânimo de colaboradores e idosos?

Enquanto países asiáticos anunciavam medidas de prevenção à expansão da doença pela COVID-19, ainda pouco se acreditava que chegaria ao continente americano. Mesmo espalhada pela Europa, ainda se julgava distante a possibilidade de avançar através dos oceanos, mas a realidade rapidamente convenceu a todos que o perigo era iminente. Demonstrava que os mais frágeis eram as vítimas mais frequentes, o que alertou os serviços que atendem idosos sobre a necessidade de criar estratégias para prevenir as graves consequências que o contágio poderia acarretar. Isolamento, uso de equipamentos de proteção individual e medidas para limpeza com sabão, álcool e hipoclorito foram adotadas, sendo que os riscos de exposição ao vírus pelos colaboradores, muitos morando distantes do local de trabalho, exigiu ainda mais que novas medidas fossem tomadas para enfrentar a crise.

A reportagem de Gabriel Pietro (https://razoesparaacreditar.com/lar-idosos-festa-pijama-quarentena-franca/)descreveu uma solução inusitada adotada em uma moradia para idosos francesa, especialmente demonstrando que transformar uma ameaça em oportunidade pode trazer resultados positivos e até inesperados. A gestora decidiu que passaria a hospedar-se no local e convidou os colaboradores para fazerem o mesmo, dispondo-se a manter o cuidado permanente dos 106 idosos moradores.

Ela não esperava, mas 29 de seus funcionários se ofereceram para ficar, trazendo consigo travesseiros e sacos de dormir. O confinamento durou o dobro do que todo mundo esperava: foram 47 dias e noites sem sair da casa de repouso fazendo companhia para os velhinhos.

Os riscos nos contatos físicos inevitáveis durante o deslocamento poderiam ser nocivos não somente aos idosos, mas também aos familiares dos colaboradores, já que o cumprimento de horários normais obriga a trocas de turnos e muita exposição a locais infectados. Alguns residenciais brasileiros adotaram soluções semelhantes, quer utilizando leitos vagos na própria residência, quer ocupando imóveis próximos para evitar o uso do transporte público. Mas o afastamento do seu próprio ambiente privado poderia causar tristeza e mudanças de humor, ainda menos favorável à ambiência acolhedora na moradia institucional. 

A proposta retratada criou festas do pijama, momentos de jogos, atividades conjuntas e muita diversão para passar o tempo com bom humor e efetividade no cuidado. Demandou resiliência dos que passaram a “morar” no local de trabalho, mas principalmente significou repensar o uso do tempo livre e a relação afetiva com os idosos, naquele momento impedidos de abraçarem seus entes queridos. A principal lição que ficou foi a de que esse residencial era a casa permanente dos seus moradores e novos hóspedes a animaram. Certamente, houve um importante exercício de empatia, reforçando a importância de que o trabalho realizado nestes serviços vai além do cumprimento de horário e da remuneração pelos serviços: exige atenção, afeto e dedicação.

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