Em que medida a inteligência artificial poderia oferecer mais conforto a idosos durante a pandemia pela Covid-19?

Soluções com inteligência artificial já têm sido desenvolvidas para diversas aplicações, desde a facilitação na indústria por serem procedimentos repetitivos, até dispositivos de higienização de ambientes. Apesar de a robótica estar avançando no desenvolvimento desses produtos, os robôs de companhia ainda parecem distantes de serem adotados por muitas famílias, visto que ainda custam muito caro e estão pouco disponíveis no mercado.

Formado em ciência da computação, Emerson Alecrim relata a evolução histórica no desenvolvimento de robôs domésticos (https://tecnoblog.net/185818/robos-domesticos/). Afirma que a empresa japonesa Honda já apresenta soluções desde a década de 1980, havendo outras indústrias que igualmente têm oferecido produtos em constante evolução, tanto em desempenho quanto em possibilidades de interação.

Robôs não ganharão em importância da sua geladeira ou da sua máquina de lavar roupas, mas eles podem sim ter relevância para o seu dia a dia por um simples motivo: essas máquinas estimulam a interação, inclusive com outras pessoas.

Na série Better than us (Rússia, 2019), ambientada em um futuro próximo, robôs são oferecidos para serviços domésticos, recepções de empresas, atendimento em estabelecimentos comerciais e de refeições, além de serem acompanhantes de pessoas idosas e podem buscar medicamentos ou elaborar atividades simples. Mas um protótipo inovador apresenta a capacidade de desenvolver apego para proteger seus “usuários”, sendo denominado robô empático.

Existe um paradoxo aqui. A indústria sabe que robôs de aspecto e comportamento amigáveis são essenciais para o sucesso desse mercado. Por outro lado, o desenvolvimento de laços emocionais é um dos fatores que mais fortalecem a resistência a essas máquinas.

Esses equipamentos interativos poderiam ter sido adotados em moradias com idosos no contexto da pandemia, evitando a exposição ao vírus dos cuidadores. Isso não significa que o humano seja substituível, mas muitos procedimentos e meios de interação seriam facilitados.

É por isso que robôs sociais podem ser uma boa companhia. Eles não são vivos “de verdade” e todo mundo sabe disso, mas mesmo assim a interação que eles proporcionam pode alimentar em nós comportamentos saudáveis, sentimentos positivos, atitudes benéficas.

Esses equipamentos poderiam garantir a manutenção de rotinas, assim como a possibilidade de comunicação por áudio e/ou vídeo, diminuindo a angústia do isolamento. A supervisão pelos cuidadores continuaria através de acompanhamento remoto, além do estímulo para atualização de informações importantes, tais como clima, notícias diversas e programas de entretenimento. Um cenário possível, desde que mantida a consciência sobre os valores humanos para não confundir sentimentos verdadeiros. 

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