Experimentar novos modos de morar ao longo da vida é a receita para melhor adaptação na velhice?

Muito se fala sobre os impactos na transição de um idoso de sua casa original para uma moradia institucional, desde o sentimento de perda de pessoas e objetos até a necessidade de conviver com estranhos, nem sempre amigáveis. Mesmo em situações intermediárias, em que esse indivíduo passa a morar com familiares, há sempre o risco de conflitos intergeracionais e perda da autonomia, já que seu território pessoal fica mais restrito e a privacidade comprometida. Na realidade, pode-se considerar que se criam zonas de conforto difíceis de alterar, o que dificulta a adaptação em mudanças quando a fragilidade e as limitações da velhice exigem maior cuidado.

Duas animações produzidas na Espanha podem sugerir que devemos manter a mente aberta para o novo. A primeira delas é Alike, sobre o pai Copi e o filho Paste (https://www.youtube.com/watch?v=Rsj_z43oNRk), um curta dirigido por Daniel Martinez Lara e Rafiki Cano Mendez.

Acompanhando o dia a dia de uma grande cidade, vemos Copi se alegrar e voltar à cor, à vida, quando encontra o pequeno. Cansado da rotina escolar, e do cinza diário, Paste desafia seu pai a criar estratégias para deixar a vida mais alegre, com mais sentido.

Diariamente o pai mantem uma rotina, que igualmente impõe ao filho que insiste em ilustrar suas atividades com música e cor. Mas acaba por se submeter e se tornar cinza, o que faz o pai pensar que deveria rever suas atitudes. A outra animação expressa sobre pensar diferente para criar um mundo diferente (https://www.youtube.com/watch?v=NSwXJby5bdI), criada por Guillermo Matia. Apresenta situações em que tudo é igual nas famílias, em atividades individualizadas e sincronizadas. Porém, uma criança ousa criar e é condicionada a manter o ritmo imposto a todos, pois envergonha os pais por ser diferente.

Muitas vezes se pensa que ser diferente é ruim, mas mesmo assim, essas diferenças tornam as pessoas únicas e, apesar de muitas dizerem que está errada, é algo que muitos provavelmente invejariam. (…) Todas essas pessoas classificadas como “diferentes” geralmente têm ideias não lineares que podem melhorar o mundo ao nosso redor.

A proposta deste site é ser modular, ou seja, ser flexível para pensar novos modos de morar e manter a mente aberta para outras perspectivas. Neste momento em que o mundo enfrenta um inimigo invisível e teme o coronavírus, muitos têm refletido sobre as transformações que estão sendo impostas para chegarmos ao “novo normal”. Mas é certo que envelhecemos ao longo de toda a vida e que devemos estar preparados para mudanças, especialmente de moradia. Nesse sentido, experimentar novos modos de morar ao longo da vida pode ser a receita para melhor adaptação na velhice, seja transformando os ambientes domésticos de acordo com desejos e necessidades, seja desapegando de móveis e objetos com pouca importância. Qualidade de vida requer conforto e segurança, fundamentais para uma boa velhice.

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