A experiência vivida com a pandemia pela Covid-19 evidenciou a necessidade de repensarmos a moradia institucional?

Muitos pesquisadores estão debruçados sobre os dados sobre idosos, coletados neste período de distanciamento social obrigatório, sentindo na pele o seu significado. Ouve-se com frequência o quanto ficou evidente a carência de políticas públicas e estratégias para o público idoso mais carente, tanto econômica quanto socialmente.

Dan Levitt, diretor executivo da comunidade de atendimento a idosos da Tabor Village em Abbotsford e professor adjunto de gerontologia na Simon Fraser University, em Vancouver/Canadá, oferece uma opinião compartilhada por muitos profissionais que trabalham pelo envelhecimento digno (https://vancouversun.com/opinion/op-ed/dan-levitt-it-is-time-to-transform-aged-care)

O simples fato de uma pessoa viver em regime de assistência ou cuidados de longa duração não significa que ela desistiu de seus direitos humanos. Idosos que vivem sob cuidados são rotulados como “residentes” – um rótulo que vem com uma quantidade desproporcional de perda de personalidade. Com a Covid-19, esse segmento da população fica mais vulnerável e requer medidas de segurança para protegê-los.

Essa segurança envolve a condição emocional de estar afastado de recursos tais como suporte social, equipamentos de apoio ao cuidado e treinamento da equipe, substituída muitas vezes às pressas conforme haja sintomas da doença. Mas o que ficou mais evidente foi repensar o modo de atendimento, desde a adoção de tecnologia atualizada até a adequação do edifício para sua eficácia.

A renovação é necessária em duas áreas: pessoas e edifícios. Em primeiro lugar, embora o financiamento nos últimos anos tenha se concentrado em pessoal, mais profissionais, atendimento direto e pessoal de serviços de apoio são necessários para atender às crescentes necessidades dos idosos. Em segundo lugar, o financiamento de capital para a substituição de edifícios e adição de nova capacidade, visto que as atuais instituições estilo hospital – muitas construídas há meio século atrás – não atendem aos padrões de controle de infecção, nem ao desejo de viver em um ambiente que se sinta em casa. São urgentemente necessários quartos individuais com banheiros e pequenas vilas caseiras que proporcionem um centro para uma vida ideal.

O envelhecimento da população impacta a sociedade, exigindo políticas públicas e leis adequadas às dinâmicas contemporâneas. O autor afirmou que o trabalho em equipe e a resiliência ajudaram os funcionários da linha de frente a resistir à adversidade, mas fica evidente a improvisação. Resgata a metáfora do “elefante na sala”, uma questão enorme que todos conhecem, mas a maioria das pessoas não quer discutir porque isso os torna desconfortáveis. O ano de 2020 trouxe experiências e lições que, se aprendidas, podem gerar frutos significativos para um futuro com uma sociedade mais justa e digna, repensando a prevenção como a melhor estratégia.

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