Em que momento ao longo da vida é preciso repensar sobre hábitos e modos de morar?

A longevidade crescente no mundo tem provocado a mudança dos padrões para aposentadoria de muitos países, especialmente porque o tempo de atividade obrigatória tem se mostrado menor do que a vida possível depois dela. Além de provocar situações de pensões com valores abaixo do necessário para a manutenção do padrão original, levando a buscar recursos complementares até mesmo em atividades informais, a desocupação formal pode levar a estados de depressão e desentendimentos com a família, tudo isso alterando o bem-estar que seria esperado neste período da vida.

A idade em que um indivíduo passa a ser considerado idoso varia entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, embora esse seja apenas um parâmetro para as definições legais. Muitas iniciativas abordam o adulto maduro a partir dos 50 anos, considerando que, a partir de então, a percepção de que sejam necessárias revisões sobre hábitos alimentares, atividades físicas e preferências socioculturais passa a receber maior atenção desses indivíduos. As soluções de bem-estar passam a ser proporcionais às necessidades que regem seus hábitos, condicionados ao modo de vida que assumem.

Nossas moradias seguem as necessidades que surgem ao longo da vida e mudam de acordo com os novos arranjos familiares que consequentemente são formados. Morar só ou em parceria, formar uma família com filhos que se desprendem na idade adulta e voltar para a situação original, esse processo configura muitas transformações que justificam revisões periódicas para adequação dos próprios hábitos. Considerar que um imóvel atenda plenamente aos desejos e às necessidades de um indivíduo por muitos anos é pretender que o usuário se adeque ao lugar, e não o contrário, exigindo atitudes resilientes e um conformismo passivo contra novas possibilidades. Conforme a cultura, em especial entre os latinos, há resistência com o descarte de objetos e excessivo apego ao lugar, podendo levar ao fenômeno de stuck in place, quando a permanência é identificada como uma paralisação, pela dificuldade de buscar alternativas para aumentar o bem-estar e a auto-realização. 

As moradias são abrigos para o corpo e para a alma e, portanto, devem refletir os desejos de segurança, acolhimento e privacidade. Não importa se grandes ou pequenas, requintadas ou despojadas, dentro das tendências da moda ou em composições personalizadas. Importa que ofereçam condições de boa saúde, na perspectiva biopsicossocial, para um envelhecimento bem-sucedido. Idosos mais velhos resistem a mudar revestimentos e eliminar móveis com pouca utilidade, como se as memórias fossem igualmente descartadas. Atentar para situações de risco em quedas e outros incidentes não significa eliminar a beleza ao implementar dispositivos de segurança, mas em considerar o aumento da autonomia e da tranquilidade de viver em casa. Portanto, entre as revisões de hábitos, é preciso incluir o modo de morar, avaliando o que de fato tem importância para manter somente o que for útil, passando a considerar as mudanças tecnológicas e seus benefícios. 

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