Pessoas positivas organizam suas moradias a partir da perspectiva de um envelhecimento bem-sucedido?

É comum que se diga que a organização da casa reflete o interior dos seus habitantes. Pessoas seguras de si, que buscam a realização pessoal e que mantêm pessoas e objetos que lhes trazem conforto, normalmente refletem esse modo de ver a vida em ambientes limpos, arejados e bem compostos. E isso não depende de poder aquisitivo e nem de bom gosto, mas basicamente do prazer em estar em um lugar no qual sintam-se bem. Essa segurança está relacionada à autoestima que, para quaisquer pessoas, depende de sentir-se valorizado e respeitado, o que se torna ainda mais importante no avanço da idade.

Em reportagem publicada na Folha de São Paulo (https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/06/em-pais-que-valoriza-a-velhice-idosos-vivem-com-mais-saude.shtml), são mencionadas pesquisas que concluem haver melhor saúde nos países em que a sociedade valoriza a velhice, atitude que resulta na diminuição da depressão e em recuperação física mais rápida.

Pessoas com visões positivas da velhice tendem a viver mais e com melhor saúde física e mental do que aquelas com visões negativas.

Habitamos em cidades, que se dividem em bairros que contêm lotes com casas e edifícios, definindo os territórios privados dos seus habitantes. Esses grupos sociais caracterizam comunidades, que podem aproximar as pessoas através de ações empreendidas por lideranças locais e por políticas públicas, com campanhas que ofereçam suporte para atingir melhor qualidade de vida. Mas o apoio de vizinhos, comerciantes e prestadores de serviços pode incentivar a criação de vínculos que aumentem a segurança e, consequentemente, estimulem as interações produtivas e positivas. 

Jardins limpos e bem mantidos, seja em casas ou edifícios, valorizam o bairro, criando elos visuais importantes entre os imóveis. Contagiam vizinhos, que passam a manter também as calçadas e os muros que os envolvem. Destaca-se aquele que não acompanha essa perspectiva da comunidade, criando uma imagem de abandono incômodo e não aprazível. O senso de comunidade traz consigo a sensação de pertencimento, o que facilita o desejo de envelhecer no lugar e possibilita que idosos mantenham o controle sobre suas rotinas, desejos e necessidades, possibilitando uma visão positiva da vida.

Do mesmo modo, ambientes privativos bem organizados trazem a sensação de pertencimento e oferecem suporte seguro para um envelhecimento bem-sucedido. As lições aprendidas com as ações de prevenção contra a Covid-19 trouxeram a definição de espaços para calçados sujos em troca de outros para uso interno, a obrigatoriedade de lavar as mãos de modo eficiente e usar recursos para desinfecção dos materiais que vêm da rua. Portanto, a partir de agora será necessário repensar a moradia e o que de fato deve ser mantido para o conforto desejado, especialmente na velhice, quando o desejo de permanecer deve contar com o suporte necessário para o efetivo bem-estar.

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