Sou avó novamente! Já são quatro crianças lindas e saudáveis vibrando pela vida e exercitando seus pais para que aprendam com eles, pois é uma troca intensa até que sejam capazes de seguir suas próprias vidas. Filhos são experimentos que desejamos muito que sejam bem sucedidos: investimos neles e, acertando ou errando, procuramos fazer nosso melhor para que sejam dignos de alçarem voos a lugares almejados, convivendo com as diferenças, respeitando hierarquias e preparados para grandes decisões, mas sempre mantendo ideias próprias, questionando o que não entendem e buscando uma vida plena, especialmente formando suas próprias famílias. Nem sempre acontece como previam, mas que sejam capazes de novos começos e corajosas retomadas.
Netos trazem outro sabor à vida dos avós: é voltar a cantar, é lembrar das nossas experiências quando éramos tão sem prática quanto os filhos são agora e reaprender que personagens do imaginário infantil provocam prazer nessas pequenas pessoas. Mas nós, avós, não precisamos educar, isso já tentamos fazer com nossos filhos. Então estamos livres desse compromisso, podendo até transgredir pequenas regras como quem combina um crime com um cúmplice. Na gaveta da vovó tem chocolates, aqueles que os pais negam em suas casas. No armário da vovó tem surpresas, de peças de roupas que viram fantasias até presentinhos deixados lá pra provocar novos sorrisos. Sim, deseducamos, mas é tão eventual que nem influencia tanto assim.
Meu netinho chegou forte, com quase 4,4kg de calor e choro intenso quando há algum desconforto. Basta resolver e tudo vira silêncio, apesar da angústia dos jovens pais, que temem errar. Quem tem netos já passou por isso. Mas quem tem pais ou avós idosos que, se muito frágeis, precisam de companhia em muitos momentos do seu dia? Trazê-los para casa cria uma ruptura com seu passado e a cobrança de sentirem-se fora do seu mundo de paz e aconchego pode chegar a qualquer momento. Ir para suas casas significa alterar rotinas criadas durante muito tempo e, de novo, rompe a normalidade. A decisão sobre uma dessas soluções ou sobre escolher um residencial novo com todos os serviços é sempre difícil e não parte do zero, como é a chegada de um bebê, geralmente amado durante os nove meses que antecedem seu primeiro dia em casa.
Faço uma reflexão sobre como somos despreparados para receber uma pessoa que pode depender de nós quando a velhice apresenta fragilidade, submetendo as famílias a decisões difíceis quanto à responsabilidades no cuidado pessoal, na administração de bens, na atenção exigida para diminuir a solidão e nas dificuldades para lidar com o desejo de manter sua própria história, pois esse já é um ser vivido, com bagagem emocional e material, que luta para continuar sendo um ator social tal como se tornou quando se desapegou do cuidado pelos pais. Estou decidindo se o bebê exige mais atenção, pois ele precisa de alimento, limpeza e carinho, mas o idoso dependente precisa, além disso tudo, de respeito por ser quem é, mesmo se não puder mais cuidar de si.


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