Quantas são as perspectivas profissionais envolvidas em soluções adequadas para a moradia na velhice?

Como arquiteta e docente na formação em Gerontologia, percebi que muito da contribuição dos profissionais da arquitetura e engenharia estava restrita a questões de acessibilidade, contidas nas normas. Larguras de portas, alturas de móveis, condições de pisos e outros aspectos relativos ao déficit de capacidades dos usuários já eram resolvidos nos projetos e, portanto, não havia novidade nesse sentido. Porém convivendo com profissionais de diversas formações e contribuindo para uma visão holística da saúde ao longo do ciclo de vida, foi possível ampliar os conceitos aplicáveis à pesquisa de soluções adequadas às moradias de idosos, sejam elas unifamiliares ou coletivas.

Para que sejam pensadas em toda sua abrangência, primeiramente é importante considerar que há declínios físicos e cognitivos, diretamente relacionados com a condição de autocuidado que cada indivíduo adota. Atividades da vida diária são implementadas no ambiente privado, nas rotinas diárias e dependem de hábitos definidos. Portanto, até a organização da casa possibilita um gasto calórico, assim como o sistema de armazenamento e preparo de alimentos na cozinha é planejado para os melhores resultados. Instrumentos de medição para controle das condições físicas, tais como termômetro, oxímetro e medidor de pressão, especialmente a partir da pandemia pela Covid-19, precisam estar armazenados em local acessível, assim como os medicamentos e documentos relacionados.

Por outro lado, o lazer e a sensação de estar amparado depende de apoio comunitário, principalmente por familiares, mas também por vizinhos e amigos. Então, definir modos de comunicação mais ágeis, assim como sistemas de acionamento para emergências, são atributos do ambiente, tanto quanto decidir se haverá tapetes ou não. Do mesmo modo, reunir essas pessoas não depende somente da sala de estar das habitações, mas de locais públicos ou compartilhados em condomínios, tornando mais diversa e intergeracional a oportunidade de encontros positivos. Profissionais de serviço social, direito e gestores de políticas públicas oferecem conhecimentos sobre como articular esses espaços, garantindo a efetiva inclusão de todos os cidadãos.

A proximidade com equipamentos de assistência envolve a ação de equipes de saúde, especialmente no acompanhamento dos casos e na orientação para atitudes de prevenção. Portanto, a localização e facilidade de acesso a esses locais de atendimento permite a manutenção da qualidade de vida, inclusive pela tranquilidade de sentir-se confortado quando necessário. E há as dores que não são físicas, que os psicólogos acompanham, e nos oferecem um recorte denominado Psicologia Ambiental, diretamente relacionada aos efeitos do ambiente construído nas emoções e sentimentos humanos. Enfim, a Gerontologia Ambiental agrega as diversas perspectivas profissionais envolvidas e que contam com a integração por gerontólogos, profissionais que articulam os diversos conhecimentos. Arquitetos e engenheiros que podem oferecer boas soluções em projetos adequados estudam profundamente essas questões, indo além de soluções que seguem somente normas e modelos.

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