Por que é importante eleger um espaço na moradia para organizar a realização de sonhos?

Ao longo da vida, é frequente a escolha por hobbies que preencham o tempo livre, muitas vezes adiados em função de outras prioridades. Acabam sendo substituídos por encontros em família, em reuniões sempre que é possível. Outros ainda desenvolvem coleções dos mais variados objetos e empregam tempo em organizá-las, definindo um lugar na casa para mantê-las. E há os que adiam sonhos e catalogam fotos e notícias que os aproximam do tema.   

Navillera (Coréia do Sul, 2021) ou Like a Butterfly, apresenta dois personagens em diferentes estágios da vida e que buscam realizar seus sonhos, apoiando-se mutuamente nos momentos mais críticos pela admiração que desenvolvem (https://revistakoreain.com.br/2021/03/k-drama-navillera-quebra-padroes-e-promete-emocionar/). Ambos enfrentam preconceitos por escolherem o balé, mas é para o idoso que essa pressão se mostra ainda mais intensa.

Sim Deok-Chul (Park In-Hwan) é um senhor de 70 anos que sempre sonhou em ser um bailarino. Por causa da sua situação, ele abandonou este sonho para trabalhar e poder manter sua família. Agora que está aposentado, ele resolveu começar a dançar, mesmo indo contra a sua família. Ele, então, se inscreve em uma escola de balé e lá conhece Lee Chae-Rok (Song Kang), que é filho de uma bailarina e pouco a pouco vê sua paixão pela dança desaparecer.

O idoso, carteiro de profissão e sempre dedicado a prover o necessário à família, fora atraído na infância pelo desejo de “voar” nos palcos, mas teve a reação negativa do pai, o que o impeliu a outro rumo. Por outro lado, o jovem de 23 anos buscava uma atividade que suprisse seu desejo de igualmente “voar”, e seguiu a profissão da mãe, já falecida. Porém estava só e dedicava-se muito, buscando a perfeição na tentativa de superar problemas com o pai. O encontro improvável mostrou-se eficaz para o crescimento de ambos, mas é o idoso que surpreende quando resiste a tudo, mesmo com os desgastes que se evidenciam aos poucos.

Mas é a manutenção do desejo de aprender balé que demonstra o quanto esse sonho fazia parte da sua vida, pois mantinha recortes sobre bailarinos mais velhos, histórias de espetáculos, registros sobre os movimentos e a terminologia própria da atividade. Tudo se concentra em um antigo dormitório do filho transformado em escritório, um espaço onde o computador mantém arquivos sobre balé, há um espelho usado para aperfeiçoar os passos básicos e onde guarda a malha que veste para os ensaios. No início mantinha segredo sobre a decisão de frequentar aulas de balé, até mesmo por temer ser ridicularizado, mas logo deixa-se levar pelo prazer de relembrar movimentos em qualquer lugar. Após superar a rejeição dos familiares, fica evidente que o tempo seria curto em função do progresso da doença de Alzheimer, igualmente um segredo que manteve até quando já não seria mais possível esconder.

A delicadeza da história demonstra que as memórias positivas sempre estarão resguardadas em algum espaço da casa, mesmo as que foram reprimidas por limitações da vida. Seja qual for o sonho, sempre há tempo para retomá-lo, mesmo com objetivos diferentes do original.

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