Quais condições de segurança podem garantir que idosos usufruam os diversos espaços da cidade?

Já foi o tempo em que os idosos eram desestimulados a saírem de suas casas, limitados ao deslocamento em trajetos curtos até mercados, farmácias e pequenos comércios de bairro. A longevidade crescente tem demonstrado que mais pessoas poderão efetivamente usufruir a cidade por estarem em melhores condições físicas, mas somente ter boa mobilidade não é suficiente para lançarem-se aos desafios que podem enfrentar na busca de atividades culturais, esportivas e de lazer, todas possibilitando interações sociais importantes para evitar a solidão e suas consequências funestas.

Embora o transporte público ofereça muitas opções nas grandes cidades, a existência de trajetos sem barreiras ainda pode exigir que os destinos desejados apresentem opções de deslocamento que evitem travessias difíceis, locais sujeitos a assaltos e espaços sem mobiliário adequado para espera ou descanso. Optar pela utilização de carros por aplicativo ou táxis pode tornar o passeio muito dispendioso e, portanto, limitar as possibilidades. Acessibilidade para todos garante o exercício da cidadania, mas não basta que os edifícios tenham rampas e corrimãos de acordo com as normas. Se as calçadas oferecerem riscos para quedas e tropeços, a tendência será a redução das iniciativas para buscar programas interessantes para os momentos de lazer.

Outra questão significativa é a invisibilidade que cerca as pessoas que ainda podem ser consideradas desocupadas, preconceito associado a idosos que decidem flanar pelas ruas da cidade com o objetivo de exercitar mente e corpo. Muitas vezes são mais lentos e utilizam dispositivos de apoio, o que pode incomodar os que têm pressa, aqueles que esquecem que têm pais, avós e um ciclo de vida que os levará a condições semelhantes ou até piores. O tempo de semáforos privilegia a circulação de veículos e o nível de ruído de certas regiões da cidade torna o passeio ainda mais sujeito a evitar determinados percursos, chegando a ser impeditivos se não houver alternativas.

Caminhabilidade na cidade vai além de calçadas planas e com pisos adequados, envolve também a oferta de lugares para descanso e contemplação, sempre considerando a sensação de segurança quanto à convivência com outras pessoas. Como sabiamente professou Jane Jacobs, há 60 anos, cidades seguras têm pessoas nas ruas, dando menos oportunidade aos mal intencionados. Para tanto, iluminação adequada mantem as pessoas em dias sombrios e à noite, assim como a definição clara de onde caminhar, sem a percepção de que os veículos automotores ameaçam aproximarem-se perigosamente. Também poder usufruir de áreas com sombra em alturas adequadas e limites bem demarcados, com mobiliário confortável e sem obstáculos desnecessários. 

Boas condições de segurança podem garantir que idosos usufruam os diversos espaços da cidade, promovendo saúde e bem-estar. Praças planejadas para encontros intergeracionais devem estar acessíveis para todos, a partir de uma ambiência positiva e estimulante, estimulando o desejo de encontrar pessoas para trocas significativas.

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