Por que o design de moda e decoração oferecido ao público idoso geralmente é feio?

As representações pela mídia de pessoas idosas em seus ambientes residenciais geralmente trazem elementos austeros, com modelos clássicos e cores geralmente muito neutras. Quando há mais cores, linhas arrojadas e materiais contemporâneos, chegam a causar estranhamento, provocando imagens estereotipadas de que pessoas idosas não acompanham a evolução do design. Na verdade, pouco se discute nesse sentido, considerando o consumidor idoso mais longevo e, portanto, mais ativo e que investe para acompanhar as novidades. A jornalista Mariza Tavares publicou uma importante reflexão sobre o assunto (https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2021/08/12/por-que-o-design-nao-se-esforca-para-agradar-aos-mais-velhos.ghtml).

Estar na casa dos 60 ou 70 não tem feito tanta diferença na vida de boa parte desses idosos, que se mantêm ativos, conectados – muitos trabalhando – e cheios de planos. A questão financeira também pende favoravelmente para os mais velhos, que com frequência são os provedores da família e donos de uma reserva financeira.

Um aspecto sobre o mobiliário de dormitórios, geralmente empregado nas moradias institucionais, é de que são muito semelhantes aos utilizados em hospitais, geralmente concebidos para receberem manutenção fácil e efetiva em função dos riscos da proliferação de agentes infecciosos. Mas há tantos materiais eficientes nesse sentido que, mesmo com linhas mais despojadas, é possível utilizar cores e texturas que os tornem bonitos e atraentes. Certamente serão as dimensões e a consequente proporção que devem atender os princípios da ergonomia, oferecendo maior eficiência com o menor esforço. Para tanto, o uso da tecnologia possibilita que equipamentos e usuários mantenham essa premissa, garantindo conforto e segurança. A flexibilização possível através de componentes mais leves, mas não menos resistentes, também facilita a manutenção diária e novos leiautes para cada situação de uso, o que estimula a socialização e a descontração nos ambientes. 

Em relação ao vestuário, podemos encontrar algumas propostas, mas que se limitam a peças igualmente neutras e com pouca jovialidade, mesmo quando a indústria têxtil tem apresentado tecidos versáteis, duráveis e confortáveis. Igualmente se estende essa vantagem aos revestimentos de sofás e às cortinas, essas com sistemas de abertura e montagem que permitem o controle da entrada de luz para diferentes efeitos cenográficos nos ambientes da casa. O idoso contemporâneo parte para novos projetos pós aposentadoria, buscando atualização dos meios que ampliam seus conhecimentos e oferecem novas perspectivas. É antenado em novidades e curioso com as diferentes possibilidades de experiências culturais, gastronômicas e de lazer, buscando a companhia daqueles que demonstram ter os mesmos objetivos. Então, não se justifica que o design de moda e decoração oferecido para o público idoso seja representado de modo tão desestimulante, antigo e sem graça.

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