Por que é tão importante atentar para o aumento da longevidade e os modos de morar na velhice?

A longevidade crescente é um fato em todo o mundo, e ficou ainda mais evidente quando os levantamentos relativos a casos e mortes por Covid-19 demonstraram a presença de um grande número de pessoas idosas com idades avançadas, muitas delas vivendo em moradias institucionais. Mas não é de hoje que esse fenômeno tem sido observado, gerando pesquisas sobre os motivos que levam determinados grupos a viverem mais tempo do que outros. Em 2004, os pesquisadores Gianni Pes, Michel Poulain e outros cientistas, publicaram os resultados de um trabalho demográfico que identificava a ilha da Sardenha como “uma região de excepcional concentração de homens centenários”. Porque usavam marcadores azuis para destacar as zonas semelhantes, denominaram esses lugares como “blue zones”. 

Blue Zones é um termo não científico dado a regiões geográficas que apresentam habitantes que atingem idades mais elevadas em comparação ao resto do mundo. São pessoas que vivem com mais de 90 e 100 anos.

A brasileira Silvia Triboni, nossa conhecida “repórter 60+”, iniciou uma expedição que denominou Expedição Centenarian, como objetivo de explorar as zonas azuis e entrevistou o cofundador Dr. Gianni Pes na Sardenha, trazendo elementos importantes para compreendermos esse fenômeno (https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/blue-zones-sardenha-nos-dias-de-hoje-entrevista-com-o-cofundador-dr-gianni-pes/). As regiões identificadas pelos pesquisadores foram Icaria (Grécia); Ogliastra, Sardenha (Itália); Okinawa (Japão); Península de Nicoya (Costa Rica) e Loma Linda, Califórnia (EUA).

Embora o entrevistado saliente que os centenários do início do século devam ser diferentes dos atuais, em especial em função do aumento de uso das tecnologias de informação, compreende que há elementos que podem justificar os motivos originais para que sejam adotadas medidas importantes para que a longevidade se mantenha com saúde e bem-estar. Dentre os motivos apontados, destacam-se a alimentação equilibrada, a atividade física e as relações sociais como as características que se assemelham entre os pesquisados nas cinco regiões, afirmando que são comportamentos que poderiam ser adotados em quaisquer lugares. 

O governo de Singapura, na Ásia, decidiu contar com nosso trabalho sobre as Blue Zones para modificar, ou tentar modificar, o estilo de vida de pessoas idosas, por exemplo ajudando-os a ter um contato mais próximo com a geração mais jovem, criando, por exemplo, casas onde avós e netos vivem juntos. Isso é emocionalmente muito importante. Esse intercâmbio entre as gerações é realmente uma das coisas mais importantes para se envelhecer graciosamente.

Se a moradia compartilhada entre avós e netos nem sempre é possível, principalmente nas grandes cidades, a manutenção dos contatos e a promoção de encontros positivos sempre será bem-vinda, considerando os modos de morar definidos para cada caso. Relações sociais promovem bem-estar e permitem um envelhecimento ativo e saudável.

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