Qual a importância da moradia para que pessoas idosas sintam-se seguras no retorno à normalidade?

A pandemia pela Covid-19 exigiu que houvesse distanciamento social e cuidados extremos com tudo que chegasse em casa vindo de fora. A desconfiança quanto à contaminação de calçados, compras de supermercado, correspondências e outros elementos que passaram por lugares desconhecidos trouxe um hábito que, para muitos, ainda não foi abandonado: higienizar com álcool para “matar” os vírus que pudessem invadir o espaço sagrado do lar.

Esse estado de espírito amedrontado pelo risco da morte abraçou determinados grupos com comorbidades, mas foi intenso com pessoas mais velhas, considerada a tendência à menor resistência a doenças respiratórias graves. A sensação de abandono pela ausência física de pessoas queridas, geralmente recorrendo a tecnologias de comunicação para compensar a impossibilidade da convivência, despertou quadros depressivos a partir do conjunto desses fatos. Além de tudo isso, as notícias veiculadas pela mídia foram massacrantes durante o ano de 2020 até a chegada das vacinas, igualmente questionadas e colocadas como argumento político partidário pelos governantes.

A equação que resultou de tudo isso pode ser assim colocada: distanciamento social + medo da morte + excesso de informações negativas = tendência a quadros depressivos. A retomada da normalidade não será assim tão simples, pois ainda há novas variantes, aparentemente menos graves para os vacinados, mas ainda causando dúvidas sobre o comportamento social preferível. A decisão é individual a partir da liberação do uso de máscaras, mas ainda existe a ameaça do contágio e, pior ainda, da cobrança social que se percebe nos lugares públicos, em elevadores, em filas e outros locais que deixaram a critério do convivente. Algumas organizações mantiveram o uso obrigatório das máscaras em locais fechados, especialmente em salas de aula e auditórios, o que já implicou em diferentes opiniões quanto à sua efetividade, visto que em outros locais de aglomeração está liberado. 

Quanto às moradias, certamente alguns hábitos permanecerão. Trocar os calçados na entrada, assim como manter um local para as máscaras e recipientes com álcool. Os cuidados com a higienização de compras de supermercado já estão relaxados a partir dos estudos que comprovam que o vírus se propaga pelo ar e que lavar sempre as mãos com água e sabão elimina o agente de contaminação. Agora já é possível que pessoas idosas voltem a circular mais à vontade em áreas livres, em especial para manter uma atividade física após tanto tempo em que o sedentarismo afetou a capacidade funcional de muitas delas. Apesar de os serviços domésticos trazerem a oportunidade do exercício, os outros fatores desanimadores foram responsáveis por um estado de quase letargia de muitos idosos, amedrontados durante a pandemia.

É importante que a moradia ofereça segurança no retorno à normalidade, agregando as lições aprendidas com essa experiência tão traumática, mas tornando clara a percepção de que lá é o abrigo do corpo e da alma e, portanto, deve atender desejos e necessidades para uma vida plena, feliz e segura.

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