Até quando a ideia de morar em residenciais adequados será associada a tristeza e solidão?

A proposta do site Ser Modular, desde o início, foi compartilhar ideias sobre a moradia na velhice, considerando a esfera privada da unidade habitacional e dos residenciais coletivos, inserida no contexto de vizinhança e ampliada na esfera pública da cidade, espaço necessário para as trocas econômicas e sociais, onde a passagem do tempo se manifesta com mais clareza. Em todos esses espaços há estímulos para as mais diversas sensações, do prazer ao medo, da euforia à profunda tristeza. Morar é ação inerente ao homem, seja qual for o contexto, podendo ser temporária ou por longa duração, sem prescindir da busca pelo conforto e segurança ao longo da vida.

O site 50 e mais publicou uma reportagem sobre estas novas perspectivas em moradias institucionais para idosos (http://www.50emais.com.br/novos-centros-de-repouso-para-idosos-mudam-a-cara-dos-asilos/).

À medida em que a população envelhece, vão surgindo as novidades que têm como objetivo dar mais conforto e independência à velhice, sobretudo para pessoas que podem pagar por isso. Uma delas é a completa transformação do conceito de asilo. Se antes eram vistos como sinônimo de tristeza, os asilos, hoje, têm uma filosofia diferente e tiveram até o nome mudado. Ao combinar condomínio fechado e centro de repouso, empreendimentos transformaram a cara dos asilos. 

É na velhice que se manifestam algumas fragilidades, assim como o desejo de definir o que de fato importa para morar considerando atributos de conforto e segurança. Porém, ainda há uma profunda rejeição aos residenciais coletivos exclusivos para idosos e o mercado imobiliário ainda aposta fortemente em solteiros e casais jovens, oferecendo condomínios com espaços focados em crianças e adultos ativos profissionalmente.

O Portal do Envelhecimento veiculou outra reportagem interessante (https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/moradia-para-idosos-do-quebec-um-modelo-inimitavel/), a respeito do sucesso de empreendimentos muito procurados por aposentados.De acordo com Luc Maurice, empreendedor imobiliário em Quebec, a diferença está em oferecer serviços a todos que os desejam, o que acaba atraindo idosos independentes.

A razão é muito simples: os idosos têm a liberdade de escolher os serviços que desejam ou precisam. Estamos longe de sermos residências destinadas exclusivamente a fornecer cuidados, que é a norma fora da província. De fato, aqui, a oferta de serviços é múltipla e à la carte, além de evoluir de acordo com os interesses atuais dos aposentados. 

A possibilidade de estimular encontros intergeracionais ainda é o que mantem muitos idosos em suas residências originais, pois assim sentem-se donos de suas vontades e do seu lugar de memória. A oferta de apoio em serviços desejáveis é, sem dúvida, o que pode definir a escolha de muitos idosos, mantendo sua autonomia e garantindo assistência apropriada, a partir de uma gestão focada para o envelhecimento saudável.

2 comments on “Até quando a ideia de morar em residenciais adequados será associada a tristeza e solidão?

    • Eduardo, esta é uma das metas que busco em pesquisas. Acredito que a tecnologia como coadjuvante do cuidado e a melhoria de processos pode racionalizar o serviço mantendo a assistência necessária mas mantendo autonomia, oferecendo sempre um acolhimento humanizado. Alternativas adequadas para a classe média estão mesmo em falta, devem ser oferecidos parâmetros para empreendedores dispostos a reformular a velha imagem associada a asilos.

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