É fácil compreender as sensações causadas pelo isolamento social obrigatório em função da pandemia pela COVID-19?

Têm sido frequentes as manifestações relativas ao excesso de informações, nem sempre confiáveis, que invadem nossas casas através das redes sociais e dos programas de televisão. Conhecimento sempre foi (e sempre será) uma arma contra a subserviência e, portanto, manter-se informado sobre a evolução da crise mundial fundamenta as opiniões sobre como enfrentar esta situação excepcional. Porém, a rapidez na divulgação de cada fato novo acaba por criar expectativas incertas e muita angústia em quem concentra-se na esperança da solução para o problema.

Em outra postagem sobre solidão – https://sermodular.com.br/2019/07/12/por-que-um-idoso-que-mora-com-outras-pessoas-muitas-vezes-continua-sentindo-se-solitario/ – a inspiração foi baseada no livro do historiador Leandro Karnal, O Dilema do Porco Espinho. Segundo Alfredo Carneiro, editor do site netmundi.org:

O dilema do porco-espinho é uma metáfora criada pelo filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860) para ilustrar o problema da convivência humana. Schopenhauer expôs esse conceito em forma de parábola na sua obra Parerga und Paralipomena, publicada em 1851, onde reuniu várias de suas polêmicas anotações filosóficas.

Segundo ele, porcos-espinho ​​se amontoaram buscando calor em um dia frio, porém foram obrigados ao afastamento em função da dor provocada pelos espinhos. Novamente sentiram frio e buscaram o calor da proximidade, percebendo que distâncias seguras resolviam grande parte do sofrimento. Nesse caso, era o frio que os impelia a se aproximarem, apesar das consequências, sendo que os seres humanos buscam a proximidade principalmente para afastar a solidão. Apresentam características espinhosas em função de suas naturezas, o que justifica as distâncias moderadas para tolerar as convivências nem sempre desejadas, o que chamamos de “etiqueta social”.

Atualmente, há uma profunda transformação nesse conceito: todo incentivo que era dado à aproximação construtiva com pessoas agora deve ser distante fisicamente, em grande parte virtual. Qual a sensação de desejar o calor humano e não poder desfrutar? Muitas são as mensagens significativas de otimismo e esperança, mas muitas são também as notícias que abalam esses sentimentos. Ao focarmos em idosos que podem já ter considerado seus papéis sociais cumpridos definitivamente, a sensação de estar diante de uma situação incompreensível e que traz muitos eventos inesperados, provoca uma confusão que certamente marcará as relações humanas a partir de agora.

Não é fácil compreender as emoções que todos estamos vivendo neste momento ao redor do mundo, mas certamente há mais tempo para reflexões sobre a verdadeira necessidade de buscar o calor humano e proteger-se dos espinhos. Mais do que nunca, pensar em quem já tem uma longa história de vida pode trazer um pouco de sabedoria para muitos.

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