Como seremos capazes de inovar em moradias para idosos se mantemos sempre o mesmo modo de morar?

Hoje estamos completando 100 postagens no blog. Confesso, cheguei a ter dúvidas sobre manter o compromisso de escrever semanalmente sobre temas relativos à moradia na velhice, sempre considerando aspectos do domicílio em si mas estendendo para o bairro e a cidade. Também abordando questões de comportamento, com base nas relações sociais que construímos ao longo da vida não somente dentro do núcleo familiar mas, também, sobre a possibilidade de novos arranjos em diferentes suportes sociais. A questão central é sobre sermos modulares ao pensar novos modos de morar em qualquer desses contextos abordados.

Muito se falou sobre características físicas dos ambientes construídos para que sejam acessíveis e caminháveis, evitando quedas, oferecendo atrativos e mantendo o bem-estar necessário para um envelhecimento digno e ativo. Para isso, um bom projeto arquitetônico e/ou urbanístico é fundamental, apesar dos desgastes que esses lugares sofrem não somente quanto à manutenção mas, também, pelo comportamento assumido por seus usuários. Cabe repetir aqui o que tenho dito como um mantra: se houver mais pessoas na rua, a segurança aumenta. Mas ainda haverá um tempo para refletir sobre isso porque essa situação não prescinde de um policiamento adequado, de iluminação eficiente, de espaço amplo e bem definido para caminhar, priorizando o cidadão e o colocando no centro das decisões em políticas públicas.

Mas considero que uma questão entre tantas seja a mais polêmica, ainda: soluções em residenciais inovadores, mesmo que estejam progressivamente surgindo, ainda esbarram no preconceito em relação aos antigos asilos, aqueles mantidos por instituições religiosas que recebiam pessoas sem apoio ou condição de viverem sós. Hoje, todos eles são fiscalizados pela Vigilância Sanitária, além de estarem sob os olhos da justiça através da Promotoria Pública, estando sujeitos a sanções se não oferecerem condições mínimas para o cumprimento do Estatuto do Idoso. Portanto, há limites para que não haja lugares de solidão, abandono e tristeza mas, mesmo assim, associam-se imagens negativas de pessoas mal tratadas e esquecidas para o “fim da vida”.

A longevidade aumenta gradativamente, inversamente à natalidade que decresce, criando situações de solidão em função da necessária dedicação à formação e à prática profissional, condição fundamental para sobrevivência nestes tempos de economia tão competitiva. Nessa corrida para o aprimoramento profissional, as escolas continuam tradicionais e, com raras exceções, com poucas novidades no processo de ensino-aprendizagem. Se é uma “via de duas mãos”, o conhecimento deveria ser construído coletivamente, orientado por um líder que gerencia as atividades para que sejam produtivas para podermos “sair da caixa” e refletir por diferentes perspectivas. Seguindo esse raciocínio, só seremos capazes de repensar nosso modo de morar na velhice se refletirmos sobre alternativas e soluções inovadoras, ou seja, sendo flexíveis ou, simplesmente, sendo modulares!

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